A província de Toyama
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- joaquimnery
- 10 de maio de 2026
- Ásia Japão Super Destaque
01 de abril de 2026
Navegando pela costa oeste da Ilha de Honshu
Estávamos navegando num Cruzeiro com o navio Azamara Pursuit, ao redor do Japão. Aportamos em Toyama pela manhã. A cidade portuária fica na costa oeste da ilha de Honshu, voltada para o Mar do Japão e próxima à cadeia dos Alpes Japoneses. Essa posição geográfica cria um contraste marcante entre o litoral e as áreas montanhosas do interior, influenciando tanto o clima quanto as atividades econômicas da região. Toyama tem relevância histórica como ponto de conexão entre rotas comerciais terrestres e marítimas, além de se destacar pela produção agrícola, pesca e indústria. A cidade também serve como base de acesso a áreas naturais importantes, reforçando seu papel como elo entre diferentes paisagens do Japão.

O Grande Templo Budista Zuiryu-ji
Seguimos com uma excursão do navio para visitar Takaoka, localizada na província de Toyama. A cidade teve origem no período feudal, quando se desenvolveu em torno de um castelo e ganhou importância como centro comercial e artesanal. Takaoka é especialmente conhecida pela produção de metais, com destaque para peças em estanho e bronze, tradição que se mantém há séculos e ainda hoje define parte da identidade local. Entre seus pontos mais conhecidos está o Grande Templo Budista Zuiryu-ji, um dos principais do país. O templo que reflete a importância histórica da cidade. Construído no século XVII, o complexo apresenta uma arquitetura marcada pela simetria e pelo uso de madeira, com pavilhões alinhados em torno de um pátio central. A visita ajuda a compreender o papel do templo não apenas como espaço religioso, mas também como referência cultural e histórica na região.

Os Guardiões do templo
Na entrada do Zuiryu-ji, em Takaoka, ficam as estátuas dos guardiões do templo, conhecidas como Niō. Posicionadas aos lados do portão principal, essas figuras têm a função simbólica de proteger o espaço sagrado contra influências negativas. Uma delas aparece com a boca aberta, representando o som “A”, enquanto a outra mantém a boca fechada, simbolizando o “Un”, formando o ciclo de início e fim. As expressões são intensas, com músculos tensionados e postura firme, transmitindo força e vigilância. Esses elementos não são apenas decorativos, mas parte integrante da tradição budista japonesa, reforçando a ideia de proteção e respeito ao entrar no templo. Estão presente em outros templos no país.

O interior do Templo
No interior do Templo, a imagem do pássaro sobre a tartaruga, está associada a símbolos de longevidade, sabedoria e harmonia. A tartaruga representa estabilidade, resistência e vida longa, enquanto o pássaro, muitas vezes associado ao grou (tsuru), simboliza elevação espiritual e também longevidade. Quando aparecem juntos, esses elementos reforçam a ideia de equilíbrio entre o mundo terreno e o espiritual. A presença desses símbolos em templos budistas e xintoístas indica não apenas proteção, mas também votos de prosperidade e continuidade, refletindo valores tradicionais profundamente enraizados na cultura japonesa. No centro do Templo, existe uma grande escultura do Kawaya-no-kami, uma divindade xintoísta relacionada à purificação e à proteção contra impurezas.associada à proteção dos banheiros, o kami do banheiro, conhecido como muitas vezes ligadas a crenças populares e à tradição espiritual.

Os Pátios internos e o trabalho em madeira dos telhados
Ao caminhar pelo Zuiryu-ji, chamaram atenção os pátios internos que organizam o conjunto do templo, criando eixos de circulação bem definidos e espaços de transição entre os edifícios. Esses pátios funcionam como áreas de respiro, onde a escala e o silêncio ajudam a conduzir o percurso de forma gradual. Outro destaque é o trabalho em madeira nos telhados, com estruturas elaboradas, encaixes precisos e beirais amplos que se projetam sobre as áreas externas. Os detalhes construtivos revelam um alto nível de técnica, com peças que se articulam sem excessos decorativos, valorizando a forma e a função. Esse conjunto reforça a relação entre arquitetura, tradição e uso do espaço, característica marcante dos templos japoneses.

As indústrias de metais de Takaoka
Takaoka é um dos principais centros de produção de metal do Japão, com uma tradição que remonta ao início do século XVII. A atividade teve origem com o incentivo de senhores feudais locais, que estimularam a instalação de artesãos especializados na fundição de bronze. Desde então, a cidade se consolidou como referência na produção de objetos metálicos, incluindo peças religiosas, utensílios domésticos e obras decorativas. Essa tradição permanece ativa, com oficinas que ainda utilizam técnicas transmitidas ao longo de gerações, combinando processos artesanais com ajustes contemporâneos. Ao longo da visita, é possível perceber como essa atividade moldou a identidade local, mantendo Takaoka como um importante polo cultural e produtivo dentro da região.

Visitamos a fábrica da Nousaku: tradição e inovação na produção do estanho
Visitamos a fábrica da Nousaku, uma das mais reconhecidas na produção de objetos em estanho no Japão. Fundada no século XX, a empresa é recente, mantém técnicas tradicionais de fundição, ao mesmo tempo em que desenvolve peças com design contemporâneo. O estanho utilizado é conhecido pela maleabilidade, permitindo criar objetos que podem ser levemente moldados pelo próprio usuário. Entre os produtos, destacam-se utensílios domésticos, recipientes para saquê e peças decorativas. A visita permite entender como a tradição metalúrgica de Takaoka segue ativa, adaptando-se a novos usos sem perder sua base artesanal.

A Costa de Toyama: um cartão-postal do Japão
A vista da Baía de Toyama revela uma das paisagens bonitas do litoral do Japão, marcada pelo contraste entre o mar e as montanhas ao fundo. Em dias de boa visibilidade, é possível observar a cadeia dos Alpes Japoneses se projetando até a linha da costa, criando um cenário de contrastes entre áreas marítimas e relevo elevado, que convivem a uma curta distância. A região também é conhecida pela profundidade da baía e pela riqueza de vida marinha, fatores que influenciam tanto a economia local quanto a identidade da paisagem. É lá que acontece o fenômeno dos firefly squid, a lula-vagalume. Uma pequena lula bioluminescente encontrada principalmente na costa do Japão, especialmente na região de Baía de Toyama. Depois de visitar Takaoka, voltamos para o Navio, que partiu no meio da tarde.

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Joaquim Nery Filho é geógrafo, agente de viagens e empresário do showbusiness. Apaixonado por viagens e fotografia.


