De volta a Hanói
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- joaquimnery
- 11 de janeiro de 2026
- Ásia Super Destaque Vietnã
18 de outubro de 2025
A despedida da Baía de Ha Long
Após o café da manhã, fizemos o check-out no Paradise Legacy e seguimos para a Marina de Tuan Chau, ponto de partida para o retorno a Hanói. Navegando em direção à marina, seguimos junto a uma grande quantidade de embarcações avançando no mesmo sentido. Eram minicruzeiros que, assim como o nosso, encerravam seus programas naquele sábado e retornavam quase ao mesmo tempo. Os barcos avançavam lentamente entre as ilhotas calcárias, formando uma cena organizada e bastante representativa da dinâmica turística da Baía de Ha Long. A água estava calma e permitia observar o movimento constante das embarcações deixando a baía. Foi uma boa imagem para encerrar a experiência, mostrando a escala do turismo local e marcando o momento de despedida antes do retorno definitivo a Hanói.

Centro de produção de artesanato
Na estrada de volta para Hanói, fizemos uma parada em um posto de serviços que abriga um grande centro de produção e venda de artesanatos feitos por pessoas portadoras de necessidades especiais. O espaço funciona como cooperativa e ponto de capacitação, oferecendo trabalho, renda e inclusão social. Encontramos peças em madeira, bordados, cerâmicas e artigos decorativos, todos produzidos manualmente. A visita ajudou a compreender como iniciativas desse tipo são integradas ao turismo local, ao mesmo tempo em que valorizam o artesanato tradicional vietnamita e promovem autonomia para seus produtores.

Os cemitérios na beira da estrada
Ao longo do trajeto, chamou atenção a presença de cemitérios coloridos à beira da estrada, com túmulos elaborados e pinturas vivas, refletindo a importância do culto aos antepassados na cultura vietnamita. Mais adiante, fizemos uma breve parada na entrada do King Kong Park, atração criada após as filmagens de Kong: Skull Island na região. O parque complementa o circuito turístico próximo à Baía de Ha Long, unindo cinema, paisagem cárstica e curiosidade cultural antes do retorno definitivo à capital.

De volta a Hanói
De volta à capital vietnamita, seguimos para nos hospedar no Sofitel Legend Metropole Hanoi, onde passamos mais uma noite, aproveitando o conforto e a localização privilegiada do hotel para encerrar essa etapa da viagem. Com o restante do dia livre, aproveitamos para fazer as últimas compras, explorar novas experiências gastronômicas e caminhar sem pressa pelas ruas da cidade. Por ser um sábado, Hanói estava especialmente movimentada, com famílias ocupando praças, calçadas e cafés. Foi uma ótima oportunidade para observar de perto o cotidiano local e sentir, mais uma vez, o ritmo vibrante e acolhedor da vida urbana vietnamita.

Mural de Cerâmica de Hanói
Na chegada a Hanói, chamou atenção a longa sequência do Mural de Cerâmica de Hanói, considerado o maior mural de azulejos do mundo. Ele acompanha a avenida construída sobre o dique do Rio Vermelho e se estende por vários quilômetros, formando um verdadeiro corredor artístico visto ainda do carro. O mural retrata cenas da história do Vietnã, símbolos culturais, paisagens naturais e influências contemporâneas, tudo composto por mosaicos de cerâmica colorida. Além do impacto visual, o projeto tem um forte valor simbólico: foi criado para celebrar os mil anos de Hanói e transformar uma área antes degradada em espaço de identidade cultura. A visão do mural logo na chegada funciona quase como um cartão de visitas da cidade, unindo arte urbana, história e escala monumental.

A cidade se agita no sábado à tarde
Saímos para passear pelas ruas do centro de Hanói. Era um sábado, a cidade ganhava um ritmo ainda mais intenso. As ruas estavam tomadas por uma multidão de moradores aproveitando o fim de semana, caminhando sem pressa, conversando e ocupando praças e calçadões. Chamavam atenção os muitos casais espalhados pelos pontos mais fotogênicos da cidade, posando para fotos destinadas às redes sociais, especialmente próximos aos lagos e edifícios históricos. É um retrato claro do cotidiano urbano vietnamita, onde lazer, convivência familiar e uso do espaço público se misturavam de forma natural, revelando uma Hanói viva, jovem e conectada, sem perder o vínculo com seus cenários tradicionais.


Café com ovo
Os cafés especiais fazem parte do cotidiano de Hanói e revelam uma forma própria de consumir a bebida. Mais do que pegar um café para viagem, os vietnamitas costumam sentar, conversar e observar o movimento da rua, muitas vezes em pequenos bancos baixos ou cafés discretos escondidos em prédios antigos. O grande destaque é o café com ovo (egg coffee), uma especialidade local criada nos anos 1940, preparada com café forte coberto por um creme quente e espesso de gema batida com açúcar e leite condensado. O resultado lembra uma sobremesa, com textura aveludada e sabor intenso, e se tornou um símbolo da cidade, procurado tanto por moradores quanto por visitantes curiosos em experimentar uma das tradições mais singulares da cena urbana vietnamita.

O Lago Hoan Kiem
Hanói possui vários lagos em sua área urbana, que ajudam a amenizar o clima tropical e a humanizar a paisagem da capital do Vietnã. O Lago Hoan Kiem é o mais simbólico deles e funciona como um ponto de encontro entre a Hanói histórica e o cotidiano contemporâneo. Localizado no centro da cidade, o lago está ligado à lenda da espada devolvida ao imperador Lê Lợi, um dos grandes símbolos da independência vietnamita. Segundo a tradição, o imperador recebeu uma espada mágica para libertar o país do domínio chinês e, após a vitória, devolveu a arma a uma tartaruga sagrada nas águas do lago. Cercado por árvores, calçadões e edifícios coloniais, o Hoan Kiem é um refúgio urbano muito frequentado pelos moradores. No centro do lago destacam-se a Torre da Tartaruga e o Templo Ngoc Son, conectando paisagem, história e espiritualidade no dia a dia de Hanói.

Os lagos de Hanói
Os lagos de Hanói têm origem ligada aos antigos cursos e meandros do Rio Vermelho, que ao longo dos séculos foram isolados por processos naturais de sedimentação e controle hidráulico. Além de ajudarem a regular o microclima e a drenagem urbana, esses lagos sempre tiveram papel estratégico na história da cidade, seja para defesa, abastecimento de água ou ocupação do território. Hoje, eles continuam essenciais para a qualidade ambiental de Hanói e ajudam a explicar por que a capital vietnamita mantém uma relação tão próxima entre paisagem, história e vida urbana.

A Catedral de São José
A Catedral de São José em Hanói é um dos símbolos mais evidentes do passado colonial francês e da ligação cultural do Vietnã com a Europa. Inaugurada em 1886, durante o período da Indochina Francesa, sua arquitetura neogótica foi inspirada diretamente na Catedral de Notre-Dame de Paris, com torres altas, vitrais coloridos e fachada imponente. Localizada no centro histórico da cidade, a catedral marcou a introdução do cristianismo ocidental em uma sociedade majoritariamente influenciada pelo budismo e pelo confucionismo. Hoje, além de espaço religioso ativo, o entorno da catedral tornou-se um ponto de encontro urbano, com cafés, livrarias e restaurantes, onde o legado europeu convive de forma natural com a vida contemporânea de Hanói.

O Restaurante Angelina
Jantamos pela segunda vez no Restaurante Angelina do Sofitel Legend Metropole Hanoi, reforçando a boa impressão da primeira visita. O restaurante combina cozinha internacional bem executada com um ambiente elegante e tranquilo, ideal para encerrar o dia após longas caminhadas pela cidade. A repetição não foi por acaso: o serviço consistente, a carta variada e a localização privilegiada fazem do Angelina uma escolha segura e confortável em Hanói.
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Joaquim Nery Filho é geógrafo, agente de viagens e empresário do showbusiness. Apaixonado por viagens e fotografia.


