De Trier a Saarburg – Dia 5 – 34 Km
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- joaquimnery
- 19 de outubro de 2024
- Alemanha Europa Super Destaque
27 de julho de 2024
Ancorados em Trier
No programa de Bike e Barco pelo Vale do Rio Mosel, estávamos aportados na cidade de Trier ou Tréveris, próxima a Luxemburgo e à França, no estado da Renânia-Palatinado, a cidade mais antiga da Alemanha, fundada pelos Celtas, no século IV a.C., com o nome de Treuorum e conquistada pelos romanos no século I a.C., que a rebatizaram para Augusta dos Tréveros, supostamente pelo Imperador Augusto. Foi apelidada de segunda Roma, pois chegou a sediar o governo do Império Romano.

A cidade mais antiga da Alemanha
A cidade tem uma grande importância histórica testemunhada pelos seus monumentos históricos e arquitetura. No século V, chegou a possuir aproximadamente 70 mil habitantes. Foi destruída por tribos germânicas e nunca mais recuperou o prestígio que teve durante o Império Romano. A sua população foi reduzida a pouco mais de 3 mil pessoas.

Pedalando para a Porta Negra
Saímos pedalando do cais do porto, onde estava o Magnifique I e fomos até a Porta Nigra ou Porta Negra, no coração do centro histórico, conhecida por este nome por ser construída em blocos de pedras sem argamassa, que com o tempo ficaram com uma aparência escurecida. A porta impressiona por seu tamanho: 36 m de comprimento, 21,5 de largura e 30 m de altura.

A Porta Negra
A ruína faz parte de quatro portais de entrada da cidade. Chegou a ser uma igreja, no século XII. Por esse motivo, somente esta porta, originária das antigas muralhas romanas, sobreviveu aos efeitos do tempo isso. Durante a invasão de Napoleão à cidade, a igreja foi pilhada e um belíssimo órgão medieval foi roubado e transferido para a Catedral de Metz, na França. Hoje, a “Porta Negra” é o portão romano mais bem preservado ao norte dos Alpes. Existem duas torres na lateral do portão, que completam o que restou da antiga muralha romana.

Um tour guiado pelo centro histórico de Trier
A partir da Porta Negra, iniciamos um tour guiado pelo centro histórico de Trier. Um dos locais mais belos da cidade é a Praça do Mercado (Hauptmarkt). Possui belos prédios centenários em estilo barroco. No centro da praça existe uma cruz que simboliza o direito da praça em sediar uma grande feira municipal. É cercada por bares e restaurantes, que a tornam mais movimentada e animada.

A Praça do Mercado
Usamos um desses bares como ponto de apoio e seguimos andando pelo centro histórico. Trier foi bastante danificada pelos ataques que sofreu na Segunda Guerra Mundial e reconstruída após a guerra.

A Catedral de Trier
A Catedral de Trier é magnífica. Foi construída a em 326 d.C., pelo imperador Constantino. É a mais antiga igreja da Alemanha. Passou por diversas reconstruções. Era bem maior do que é hoje. Entre 1960 e 1974, passou por uma grande reforma, depois de sofrer muito durante a Segunda Guerra Mundial.

A Igreja de Nossa Senhora
Anexo a catedral fica a Igreja de Nossa Senhora (Liebfrauenkirche), construída no século XIII, em estilo gótico. Possui um interior ricamente decorado, cheio de afrescos do século XV.

A cidade de Karl Marx
Trier é a cidade natal de Karl Marx. A casa onde nasceu é hoje o Museu “Karl Marx Haus”, com acervo sobre a vida e obra do filósofo e economista alemão, protagonista do movimento trabalhista. Até hoje, suas teorias sobre religião, sociedade burguesa e capitalismo influenciam a política mundial. As suas principais obras foram: “Manifesto do Partido Comunista” e “O Capital”.

Perseguição aos judeus
Trier ficou marcada também pela perseguição aos judeus durante o regime nazista na Alemanha e Segunda Guerra Mundial. Uma das curiosidades que vimos por lá, foram as placas metálicas cravadas nas ruas do centro histórico, em frente a algumas casas, que foram residências de famílias judaicas. Essas placas foram colocadas ali, para que a história dessas famílias não fosse esquecida jamais.

Uma Parada do orgulho LGBT em Trier
A cidade de Trier é charmosa, pois escancara os contrastes entre o antigo e o moderno. É uma Cidade Universitária com uma população grande de jovens, mas possui uma arquitetura medieval que se destaca pelas grandes igrejas e ruínas romanas. No meio do passeio pelo centro histórico de Trier, assistimos a uma Parada Gay bastante animada, mas na proporção do tamanho da cidade. A parada era dividida em pelotões que representavam os grupos correspondentes às letras, LGBTQIAPN+.

Muita chuva e frio no percurso a partir de Trier
No início da tarde começamos a pedalar e saímos de Trier. Pegamos muita chuva e fazia muito frio, no percurso. Voltamos ao Vale do Rio Mosel, cercado de vinícolas. Alguns dos vinhedos começaram a ser plantados no período do Império Romano. A partir do século XVII, a uva Riesling passou a predominar no vale e adquiriu grande popularidade.

O Vale do Rio Saar
Saímos da margem do Rio Mosel e entramos pelo Vale do Rio Saar, onde seguimos até a cidade de Saarburg. O Rio Saar é um afluente do Mosel. O cultivo das uvas continua no seu vale e a história ligada aos romanos e à exploração comercial dos rios também.

Acampamentos nos vales dos rios
Nas margens das estradas e das ciclovias dos vales dos rios Mosel e Saar, é muito comum encontrarmos áreas de acampamentos com centenas de trailers e uma boa infraestrutura de apoio. Os europeus têm esse hábito e estilo de vida. Centenas de famílias se encontram nessas áreas de acampamento. Algumas barracas e trailers chegam a ser instaladas com piso e jardins e são ocupadas o ano inteiro.

O Jardim Filosófico de Kanzem
Ainda fizemos uma parada técnica no Jardim Filosófico de Kanzem, uma das atrações do caminho pelo Vale do Rio Saars. Uma área criada como um grande jardim ao lado de um cemitério. O “Jardim do Devir”, que serve como atração turística. A expressão “Jardim Filosófico”, é utilizada para jardins que estimulam a contemplação e o lazer dos visitantes.

Saarburg
Saarburg é uma interessante cidade antiga, situada na parte mais bonita do vale do Rio Saar. Aqui, as margens do rio são densamente arborizadas. O castelo de Saarburg foi construído em meados do século X e é sentinela sobre a cidade.

A cachoeira de Saarburg
No meio da cidade existe uma cachoeira de 20 metros de altura. Ao pé́ desta cachoeira, um antigo moinho, movido por um pequeno rio. Nesta parte da cidade, a maioria das casas datam dos séculos XVII e XVIII e dão a Saarburg uma identidade única.

O restaurante Zum Wasserfall
Depois que encontramos o Magnifique I, saímos caminhando até o centro de Saarburg e fomos até um restaurante que tinha sido recomendado pela Bike Expedition, a Operadora turística que montou essa maravilhosa viagem de Bike e Barco. Jantamos no excelente restaurante Zum Wasserfall. Fizemos uma grande reserva, pois a maior parte do grupo foi para esse mesmo restaurante. O atendimento e o jantar foram espetaculares. Ainda caminhamos um pouco na chuva e frio para tomar um sorvete no centro de Saarsburg.

Distância de bike: 34 km

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Joaquim Nery Filho é geógrafo, agente de viagens e empresário do showbusiness. Apaixonado por viagens e fotografia.


