DMZ, a Zona Desmilitarizada da Coreia – Parte 1
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- joaquimnery
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11 de abril de 2026
Coreia: formação histórica e divisão contemporânea
Tínhamos chegado a Seul, na Coreia do Sul, no dia anterior. Esse foi o primeiro dia de visitas. Combinamos um serviço privativo com uma excelente guia brtasileira/coreana, que nos acompanhou durante os cinco dias que estivemos em Seul, a Elisa Lee @elisaleekorea. Elisa nos pegou no hotel, onde encontramos também, os amigos Dr. Alberto Vasconcelos e Dra. Kika Teixeira. Seguimos para a região da fronteira entre as duas coreias, a Zona Desmilitarizada (DMZ), um dos locais que fazíamos questão de conhecer. Aprendemos com a Elisa, que a história da Coreia foi marcada por ciclos de influência externa, unificação e divisão. Nos períodos antigos, alguns reinos disputaram o controle da península, até a unificação. A Dinastia Joseon (1392–1910) consolidou um longo período de estabilidade na região.


“Mulheres de conforto”: memória e controvérsia histórica
No início do século XX, a Península da Coreia foi ocupada pelo Japão (1910–1945). Durante esse período de ocupação, especialmente ao longo da Segunda Guerra Mundial, milhares de mulheres, muitas delas coreanas, foram forçadas a trabalhar em sistemas de exploração sexual mantidos pelo exército japonês. Essas mulheres ficaram conhecidas como “mulheres de conforto” (comfort women). Elas eram, em muitos casos, recrutadas de forma coercitiva ou enganosa e levadas para diferentes regiões sob controle japonês. Após a guerra, muitas enfrentaram dificuldades para retornar à vida normal, além de estigmatização social e falta de reconhecimento imediato. O tema permanece sensível nas relações entre a Coreia do Sul e o Japão, envolvendo debates sobre responsabilidade histórica, pedidos de desculpas e reparações. Hoje, memoriais e iniciativas buscam preservar a história dessas mulheres e dar visibilidade a essa parte do passado.

Entre os memoriais visitados durante a viagem, um dos mais impactantes foi o dedicado às chamadas “Mulheres de Conforto”. As esculturas representam jovens coreanas que foram exploradas em bordéis militares durante a ocupação japonesa. As cadeiras vazias ao lado das figuras simbolizam as vítimas que nunca retornaram ou que jamais tiveram a oportunidade de contar suas histórias. Mais do que um monumento, o local funciona como um espaço de memória e reflexão sobre um dos episódios mais dolorosos da história moderna da Coreia, lembrando que os efeitos dos conflitos e da ocupação ultrapassam gerações.

A explosão da Guerra Civil
A divisão da Coreia ocorreu ao final da Segunda Guerra Mundial, em 1945, após o fim da ocupação japonesa. Com a derrota do Japão, a península foi temporariamente dividida em duas zonas de influência ao longo do paralelo 38. Ao norte, sob controle da União Soviética; ao sul, sob influência dos Estados Unidos. O que inicialmente seria uma divisão administrativa provisória acabou se tornando permanente com o agravamento das tensões da Guerra Fria. Em 1948, foram criados dois Estados distintos: a Coreia do Norte, com regime socialista, e a Coreia do Sul, com orientação capitalista. A busca por mais poder e autonomia entre as duas áreas de influência fez explodir a Guerra da Coreia, que aconteceu entre 25 de junho de 1950 e 27 de julho de 1953.

A divisão das Coreias
A Guerra Civil consolidou a separação entre as Coreias, estabelecendo uma fronteira militarizada que permanece até hoje, refletindo uma das principais divisões geopolíticas do século XX. O conflito terminou com um armistício, e não com um tratado de paz definitivo, concretizando a divisão entre Coreia do Norte e Coreia do Sul, com trajetórias políticas e econômicas bastante distintas entre os dois países. Essa divisão permanece até hoje. A DMZ, Zona Desmilitarizada da Coreia, é a faixa de terra que separa a Coreia do Norte da Coreia do Sul. A faixa a sul da DMZ é controlada e administrada pela Coreia do Sul, enquanto a faixa norte é controlada e administrada pela Coreia do Norte.

Zona Desmilitarizada da Coreia: fronteira e tensão
A Zona Desmilitarizada da Coreia (DMZ) foi criada em 1953, ao final da Guerra da Coreia. Apesar do nome, a região é uma das fronteiras mais militarizadas do mundo, com presença intensa de tropas nos dois lados. A zona tem cerca de 250 km de extensão e aproximadamente 4 km de largura, funcionando como uma área de separação entre os dois países. Ao mesmo tempo, por ter acesso restrito por décadas, a DMZ acabou se tornando uma área de preservação ambiental involuntária. Ainda assim, seu principal significado é geopolítico, simbolizando a divisão da península coreana que permanece até hoje.

Visita à DMZ: roteiro controlado e contexto geopolítico
A visita à DMZ, a partir da Coreia do Sul, é feita por meio de tours organizados e com regras rígidas de segurança. O acesso é controlado e exige documentação, já que se trata de uma área sensível do ponto de vista militar. O roteiro costuma incluir pontos como o Observatório Dora, de onde é possível avistar o território da Coreia do Norte, o Terceiro Túnel de Infiltração e áreas próximas à linha de demarcação. Em alguns casos, há visitas à Área de Segurança Conjunta (JSA), onde soldados dos dois lados permanecem posicionados. A experiência combina turismo e geopolítica, oferecendo uma visão concreta da divisão da península coreana e de suas implicações até os dias atuais. O lado da Coreia do Sul costuma ser visitado por famílias sul-coreanas, nos finais de semana, como uma alternativa de lazer.

Distância entre Seul e a DMZ
A área turística da Zona Desmilitarizada da Coreia fica relativamente próxima de Seul. Entre 50 e 60 km da capital sul-coreana. A estrada é excelente e pode ser percorrida em uma hora e meia. O acesso não é direto como um passeio comum. Mesmo sendo perto, a visita exige controle militar, paradas obrigatórias e acompanhamento por guias autorizados, o que pode aumentar o tempo total do passeio. Na prática, é um bate-volta a partir de Seul, mas com logística mais rígida do que um deslocamento convencional.

A DMZ: a fronteira mais vigiada do mundo
A visita à DMZ é uma das experiências mais marcantes para quem viaja ao país. Partimos de Seul em um tour oficial, seguindo por uma área rigidamente controlada, onde a presença militar faz parte da rotina. Antes mesmo de chegar à zona restrita, soldados sul-coreanos embarcam nos ônibus para conferir os passaportes dos visitantes, um procedimento rápido, mas que reforça o caráter singular da região. Ao longo do trajeto, observatórios, postos de controle e locais históricos ajudam a compreender a complexa realidade da divisão da península coreana.

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Joaquim Nery Filho é geógrafo, agente de viagens e empresário do showbusiness. Apaixonado por viagens e fotografia.


